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Domingo, 24.01.10

 Nunca é demais consumir abundantemente vegetais, hortaliças, frutas frescas e leguminosas, devido à sua riqueza em fibras, vitaminas e minerais. Como? No prato, cozidos ou em saladas cruas ou ainda na sopa, onde se aproveita o máximo de nutrientes diluídos no caldo.

As fibras são não só importantes para prevenirem ou até corrigirem as alterações dos níveis do colesterol no sangue, como também contribuem para tornar mais lenta a absorção dos hidratos de carbono (evita as hiperglicemias).

Mais uma vez se chama a atenção para as leguminosas que conseguem fornecer ao mesmo tempo fibras, amido e proteínas vegetais. Para fornecerem mais fibra, os cereais devem ser parcialmente completos e não totalmente refinados. Relativamente às frutas, vegetais e hortaliças, quanto mais vermelhos, amarelos ou verde-escuro forem, maior é a sua riqueza em vitaminas anti-oxidantes: vitamina C e Beta-caroteno.

Os diabéticos necessitam de um consumo muito superior destas vitaminas tão indispensáveis na prevenção e tratamento das manifestações tardias da doença. Funcionam como um meio de defesa que utilizam em grande quantidade e que precisam de ir repondo constantemente.

A alimentação de qualquer diabético deve basear-se na ingestão de alimentos fornecedores de hidratos de carbono como principal fonte da sua energia diária, devendo contribuir por isso com cerca de 60 % das calorias totais necessárias.

Isto implica muitas vezes uma alteração de hábitos já adquiridos em que, erradamente, se fazem demasiadas restrições em hidratos de carbono. Pelo contrário, a gordura deve contribuir com apenas
25 a 30% das calorias, enquanto que as proteínas devem contribuir com 10 a 15% das calorias.

Os hidratos de carbono que devem ser ingeridos em maior quantidade são do tipo de absorção mais lenta – a que se chama amido – porque provocam menores oscilações das glicémias. Ou seja, após a ingestão de alimentos ricos em amido, a glicemia aumenta muito mais devagar e a um nível muito mais baixo.

Os alimentos ricos em amido são: as massas, o feijão, o grão, as ervilhas, as favas, as lentilhas e o pão de mistura. Estes alimentos não só podem, como devem ser consumidos todos os dias em quantidades adaptadas às necessidades individuais. O arroz e a batata também são ricos em amido, embora se trate de um tipo de amido que tem uma absorção menos lenta. Devem por isso ser consumidos com alguma moderação.

Existem outros tipos de hidratos de carbono necessários em menor quantidade e com velocidade de absorção intermediária. São fornecidos pelo leite e pelos iogurtes – a que se chama lactose – e pelas frutas – a frutose.

Os hidratos de carbono que têm uma absorção mais rápida e até quase imediata são a sacarose (do açúcar) e a glucose. Por este motivo devem ser evitados todos os alimentos que os contenham em grandes quantidades. Por exemplo: refrigerantes, doces, bolos, mel, compotas, marmelada, frutas cristalizadas, passas, etc.

Toleram-se apenas em dias festivos, em quantidade muito moderada e no fim de uma refeição, à sobremesa. A ingestão de alimentos com hidratos de carbono de absorção muito rápida deve ser apenas reservada para corrigir uma hipoglicemia. Neste caso, a primeira escolha vai para o açúcar e para os refrigerantes ou outras bebidas com açúcar. "AS DITAS, DESCIDAS

Uma correcta distribuição dos hidratos de carbono ao longo do dia é importante para toda a gente, mais ainda para o diabético. Deve-se comer pouco e várias vezes ao dia. Ou seja, os hidratos de carbono devem ser distribuídos por 6 ou 7 refeições diárias, com intervalos entre 2 a 3 horas entre cada uma delas durante o dia e com um repouso de cerca de 8 horas durante a noite.

Deste modo evitam-se as grandes variações da glicemia. Tanto se previne a hipoglicemia entre as refeições, como se evita a hiperglicemia após as refeições, resultante da ingestão de grandes quantidades de alimentos.

consumo de gordura que tem aumentado muito, deve ser reduzido. E deve ser reduzido principalmente o tipo de gordura mais prejudicial – a que tem mais ácidos gordos saturados – contida principalmente na carne dos ruminantes e outros produtos derivados (manteiga, natas, queijos gordos, enchidos, charcutaria, etc).

Atenção às gorduras escondidas nos bolos, folhados, batatas fritas, empadas e outros salgadinhos. Relativamente à carne, é suficiente a sua ingestão algumas vezes por semana, devendo dar-se preferência às carnes mais magras como as das aves (sem a pele), do coelho e alguma carne de porco magra. Intercalar estas com os ovos (cozidos ou pochê) e principalmente com o peixe que merece especial destaque na alimentação por ter um papel importante na prevenção das doenças cardiovasculares.

Este efeito deve-se à excelente qualidade da gordura que os peixes contêm, com capacidade de tornar o sangue mais fluído e de diminuir os processos inflamatórios. Por isso, ao contrário da carne, devem preferir-se os peixes mais gordos (e por vezes os mais baratos), tais como: a sardinha, a cavala, o arenque, a enguia, o carapau, a sarda e o salmão.·
A manteiga pode ser consumida numa quantidade equivalente a um pacotinho de 15 g/dia. Para temperar, destaca-se o grande benefício do uso do azeite, cujo consumo parece impedir o desenvolvimento da arterosclerose.·
Para cozinhar também, porque é uma gordura que se degrada muito pouco quando sujeita ao calor. Os frutos amiláceos como a noz, a avelã e a amêndoa (não salgados), embora sejam ricos em gordura, podem ser consumidos em pequena quantidade cerca de 2 vezes por semana, porque contêm: gordura de excelente qualidade

água (não açucarada) deve ser sempre a bebida de primeira escolha. Pelo menos 1,5 litros por dia. Os refrigerantes não são mais do que uma água açucarada a que se adicionam alguns corantes. A quantidade de açúcar que fornecem por cada copo de 2,5 dl equivale a cerca de 3 pacotes de açúcar.

Têm por isso pouco interesse sob o ponto de vista alimentar, devendo recorrer-se a este tipo de bebidas só quando for preciso corrigir uma hipoglicemia. Os sumos de fruta 100% contêm apenas o açúcar natural da própria fruta. Podem ser consumidos com alguma moderação, mas nunca com o objetivo de substituir a fruta fresca.

Nos produtos "light" o açúcar é substituído por adoçantes artificiais, constituindo por isso uma alternativa aos produtos açucarados. Quanto às bebidas alcoólicas, apenas ao diabético adulto e bem compensado se permite a ingestão de vinho, de preferência tinto e só 250 ml por dia, às refeições.

Relativamente à cerveja, tolera-se o consumo de 200 ml, duas ou três vezes por semana. Não se tolera mais nenhuma bebida alcoólica. Nenhuma bebida é permitida durante a gravidez, ou em caso de pancreatite, neuropatia e hipoglicemias frequentes.

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